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MARI'STELLA TRISTÃO

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Uma trajetória multifacetada a serviço da arte

Mari’Stella Tristão foi uma figura central na cultura mineira, como artista plástica, curadora, produtora cultural, crítica de arte e gestora pública. Nascida em Uberlândia (MG), ela se formou na primeira turma de Belas Artes da UFMG em 1964, especializando-se em gravura. Durante sua formação (1957-1963), destacou-se como líder ao presidir o Diretório Acadêmico, lutando contra o fechamento do curso, que acabou sendo incorporado pela UFMG. Paralelamente, foi assistente de laboratório de Psicologia da educadora Helena Antipoff e realizou um curso intensivo de museologia na Faculdade de Filosofia da UFMG, consolidando sua formação multidisciplinar.

Sua trajetória profissional foi marcada por cargos de destaque e iniciativas pioneiras. Presidiu a Associação Mineira de Artes Plásticas (1962-1966) e atuou como assessora cultural da Reitoria da UFMG, promovendo inúmeras exposições. Como assessora de Arte da Secretaria do Trabalho e Cultura Popular do Estado de Minas Gerais (1964-1967), organizou a 1ª Semana do Folclore e exposições de artesanato e arte primitiva em Minas Gerais, Brasília e Rio de Janeiro, consolidando-se como uma defensora da cultura popular e do artesanato mineiro.

No Palácio das Artes, Mari’Stella Tristão deixou sua marca como a primeira coordenadora do setor de Artes Plásticas e curadora de exposições históricas. Foi responsável por mostras como O Processo Evolutivo da Arte em Minas (1970), que traçou um panorama da arte mineira de 1900 a 1970, e a Semana Nacional de Vanguarda (1970), eventos que se tornaram marcos na história da arte contemporânea mineira. Também organizou a Pré-Bienal (1971) e trouxe a Belo Horizonte o Royal Ballet de Londres, um dos maiores espetáculos de balé já realizados no país.

Sua atuação no cenário artístico foi além da curadoria. Em 1969, ao lado de Sara Ávila, Dilermando Corrêa Filho e Saulo de Oliveira, idealizou a Feira de Artes e Artesanato, que mais tarde se tornaria a famosa Feira Hippie de Belo Horizonte. A feira, inicialmente realizada na Praça da Liberdade, foi um marco na democratização da arte, levando obras e artesanato à população e se tornando um espaço de encontro e manifestação cultural. A iniciativa foi tão significativa que, em 2019, a feira foi reconhecida como de relevante interesse cultural do estado.

Mari’Stella também teve um papel crucial na resistência cultural durante a ditadura militar. Em 1970, convidou o crítico Frederico Morais para coordenar as mostras Do corpo à terra e Objeto e participação, dois eventos simultâneos e integrados que se tornaram marcos da história da arte brasileira. A exposição, que fez parte da programação de inauguração do Palácio das Artes, questionou a violência do regime militar e a falta de liberdade de expressão, utilizando a arte como forma de protesto. Artistas como Artur Barrio e Cildo Meireles participaram com obras que denunciavam a tortura e a repressão, tornando o evento um marco na arte de resistência.

Além de sua atuação no campo das artes plásticas, Mari’Stella Tristão dedicou-se à crítica de arte, escrevendo por quatro décadas no jornal Estado de Minas. Sua escrita era marcada por uma visão generosa e acolhedora, especialmente com artistas iniciantes. Em 1989, ao completar 50 anos, foi homenageada com uma exposição que reuniu obras de grandes nomes, como Amilcar de Castro, Carlos Bracher e Inimá de Paula, testemunhando o respeito e a admiração que conquistou no meio artístico.

Sua atuação também se estendeu à gestão cultural. Na Superintendência de Turismo da Prefeitura de Belo Horizonte (1971-1972), organizou eventos como carnavais e festas natalinas. Posteriormente, na Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte, foi responsável pelo departamento de feiras e exposições, consolidando sua reputação como uma gestora dinâmica e visionária.

Mari’Stella Tristão morreu em Belo Horizonte, deixando um legado que transcende sua obra pessoal. Em 2002, a galeria Mari’Stella Tristão (antiga Sala de Multimeios) foi inaugurada em sua homenagem, celebrando sua contribuição para a cultura mineira. Sua fala “Vivemos sob as ondas, não do Danúbio, mas da esperança. A esperança de dias melhores para a cultura mineira” sintetiza seu otimismo e dedicação à arte e à cultura. Mari’Stella Tristão foi, acima de tudo, uma realizadora incansável cujo trabalho continua a inspirar gerações.

Evandro Santiago/Acervo Jornal Estado de Minas/D.A.Press

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