JUSCELINO KUBITSCHEK

Arquivo Nacional - Centro de Informação de Acervos dos Presidentes da República
O estadista da modernidade
Juscelino Kubitschek de Oliveira não foi apenas um político: foi um visionário, um apaixonado pelo Brasil. Sua trajetória — das ruas de Diamantina ao Planalto Central — é prova de que sonhos grandiosos podem se tornar realidade. Sua fé no país, seu amor pelo povo e sua aposta no futuro o tornaram um dos mais importantes estadistas da história nacional.
Nascido em 1902, em Diamantina, Minas Gerais, enfrentou a perda precoce do pai e as dificuldades da infância ao lado da mãe professora. Superou obstáculos, trabalhou como telegrafista e formou-se em Medicina em 1927.
Entrou na política nos anos 1930, após atuar como médico na Revolução Constitucionalista de 1932. Com apoio do interventor Benedito Valadares, tornou-se chefe do Gabinete Civil e, logo, deputado federal. Destacou-se por sua defesa de Minas e pelo estilo conciliador.
Durante o Estado Novo, afastou-se da vida pública. Nomeado prefeito de Belo Horizonte em 1940, protagonizou uma gestão transformadora, mesmo em tempos de guerra e escassez. Obras de infraestrutura e mobilidade foram acompanhadas de um arrojado projeto cultural. Nesse contexto, nasceu o Conjunto Arquitetônico da Pampulha — marco da arquitetura moderna — fruto da parceria com Niemeyer, Portinari, Burle Marx e Ceschiatti. A Pampulha simbolizou uma cidade que abraçava o novo sem perder a identidade.
JK também fundou a Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte, trouxe Alberto Guignard para criar uma escola de arte moderna e fomentou a cultura com exposições e o projeto do Teatro Municipal — hoje Palácio das Artes. No relatório de sua gestão, afirmou que sua missão era “engrandecer Belo Horizonte, sem olhar a sacrifícios”.
O Teatro Municipal e a ousadia modernizadora
Previsto para o Parque Municipal, com projeto de Oscar Niemeyer Filho, o teatro teria fachada de 65 metros, plateia para 3.500 pessoas, acústica apurada, palcos móveis, elevador para orquestra, ar-condicionado e estacionamento subterrâneo. O edifício dialogava com a paisagem e rompia com modelos tradicionais, sendo uma criação original, pensada para a modernidade de BH.
A venda do antigo teatro financiou a obra, que acabou modificada nos anos 1960, mas seu projeto original permanece como símbolo da visão futurista de JK.
Governador de Minas e o embrião do Plano de Metas
Governador de Minas a partir de 1951, Juscelino adotou o binômio “Energia e Transporte”, fundando a Cemig e preparando o estado para a industrialização. Também valorizou a cultura e a memória: promoveu arte moderna, instituiu o feriado da Inconfidência e homenageou escritores mineiros.
Em 1955, foi eleito presidente com o lema “Cinquenta anos em cinco”. Sua vitória foi garantida pelo Movimento de 11 de Novembro, contra ameaças de golpe. Como presidente, lançou o Plano de Metas, focado em energia, transporte, educação, saúde e alimentação.
Brasília: a utopia construída
Brasília foi a síntese do espírito juscelinista: moderna, ousada, planejada. Inaugurada em 21 de abril de 1960, no coração do país, foi idealizada por Lúcio Costa e Niemeyer, mas só existiu graças à coragem política de JK. Seu governo também impulsionou a indústria automobilística, as rodovias e o setor energético, integrando o Brasil ao cenário internacional.
Mesmo sob crises — como a Revolta de Jacareacanga, tensões militares e pressões da Guerra Fria —, governou com equilíbrio e desenvolvimentismo. Enfrentou a seca de 1958 no Nordeste e negociou acordos estratégicos, como a instalação de uma base americana em Fernando de Noronha, sob rígidas condições.
Exílio e reabilitação
Após seu mandato, foi eleito senador por Goiás, mas teve seus direitos cassados pelo regime militar em 1964. Exilado, viveu na Europa e nos EUA, retornando ao Brasil em 1967. Morreu tragicamente em um acidente de carro em 1976, cercado de admiração popular.
Mesmo perseguido, sua imagem ressurgiu com força. O Memorial JK, inaugurado em Brasília, consolidou sua memória como símbolo de um Brasil otimista, moderno e democrático. O busto do ex-presidente adorna uma das paredes do foyer do Grande Teatro Cemig Palácio das Artes.
Juscelino Kubitschek é lembrado como o “estadista da modernidade”. Seu legado vive nas avenidas de Brasília, na bossa nova, no espírito de um país que acreditava em seu futuro. Foi um líder que governou com coragem, humanidade e visão — e que deixou como herança a esperança no poder transformador da política.

















