GENESCO MURTA
Acervo da Fundação Biblioteca Nacional
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Em busca da perfeição
Genesco Murta Lages (1885-1967) foi um pintor, desenhista, caricaturista e professor brasileiro, natural de Minas Novas, Minas Gerais. Sua trajetória artística, marcada pela busca incessante pelo aprimoramento técnico e pelas influências europeias, tornou-o uma figura singular na arte mineira e brasileira.
Murta iniciou sua vida profissional em atividades simples, como pedreiro, pintor de paredes e caixeiro-viajante, antes de seguir para Ouro Preto, onde começou seus estudos de arte. Com o apoio de um padre, que o adotou como ajudante, partiu para a Europa em busca de conhecimento e aperfeiçoamento. Em Paris, foi bolsista do Governo de Minas Gerais entre 1912 e 1916 e teve a oportunidade de estudar nas renomadas Académie de la Grande Chaumière e Académie Colarossi, imergindo na efervescente vida cultural da capital francesa. Durante sua estadia, foi influenciado por pintores impressionistas, como Marquet e Sisley, e conviveu com figuras como Modigliani e Henry Ramey. Em suas memórias, Murta descreve a Paris pré-guerra como um “paraíso” de trocas culturais entre artistas de diversas partes do mundo.
A sua obra é um reflexo do ambiente modernista de Paris, mas também das paisagens e cores de Minas Gerais, onde Murta encontrou sua verdadeira inspiração. Influenciado pelo impressionismo, sua técnica se destaca pela liberação da cor e da pincelada, criando obras que exalam sensibilidade e vida. Em alguns de seus trabalhos mais notáveis, como os quadros de paisagens com verdes e amarelos, ele liberou as cores de maneira ousada e sem preocupação de fidelidade exata à realidade, um reflexo de seu estilo único e personalíssimo.
Após sua primeira viagem a Paris, Murta passou por Sevilha, na Espanha, e, ao retornar ao Brasil, estabeleceu-se em Belo Horizonte, onde se dedicou à pintura e ao ensino. Durante a década de 1920, Murta expressou o desejo de criar uma escola de arte em Minas Gerais, inspirado pelo modelo da Arts and Crafts, ao lado de Luis Souto. Ele também foi responsável por várias obras em Belo Horizonte, incluindo pinturas e afrescos em igrejas e prédios históricos, como a Igreja do Sagrado Coração de Jesus e os painéis na Secretaria da Fazenda e no Grande Hotel do Barreiro.
Em 1922, o Governo de Minas Gerais concedeu-lhe outra bolsa, possibilitando uma viagem à Alemanha, onde permaneceu até 1924, para continuar seus estudos interrompidos pela Primeira Guerra Mundial. Murta, sempre em busca de novas experiências, foi um dos pioneiros a trazer para o Brasil as influências do modernismo europeu, principalmente o impressionismo.
Considerado por muitos como um artista de expressividade singular, Murta foi descrito como alguém cuja arte o tornou “solitário” e um dos artistas que contribuíram de forma positiva para a arte mineira no início do século XX, ainda que sem seguidores diretos. Murta representou um elo entre a pintura tradicional e as novas tendências em ascensão no Brasil.
Mesmo com sua experiência em Paris e interação com os mais refinados movimentos artísticos da época, Genesco Murta nunca perdeu suas raízes e o seu caráter mineiro, com o qual manteve uma relação de autenticidade e sinceridade. Seu trabalho reflete uma beleza crua, honesta e profundamente ligada à natureza, como ele mesmo descrevia, comparando-se a um “xavante”, um indígena forte e autêntico.
Genesco Murta faleceu em 1967, deixando um legado importante na arte brasileira, especialmente no contexto da arte moderna em Minas Gerais. Sua obra permanece viva não apenas em suas pinturas, mas também nas memórias e na reverência que sua prática artística ainda inspira. Seu nome estampa a galeria de 295 m² localizada no Palácio das Artes.













