CLÓVIS SALGADO

Acervo fotográfico da Coleção Memória da ALMG
Uma vida
dedicada ao desenvolvimento de Minas Gerais
Clóvis Salgado da Gama nasceu em 20 de janeiro de 1906, em Leopoldina (MG), em uma família com tradição política e cultural. Realizou seus primeiros estudos no Grupo Escolar Ribeiro Junqueira. Aos 14 anos, foi para o Rio de Janeiro estudar no Colégio Militar. Formou-se em Medicina em 1929 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, com uma tese inovadora sobre tratamento cirúrgico do cólon.
Em 1930, ingressou na política, fundando e dirigindo o jornal Nova Fase, em Leopoldina, veículo das ideias da Aliança Liberal que apoiava Getúlio Vargas. Com a vitória da Revolução de 1930, alistou-se como capitão-médico nas tropas mineiras. Durante o Estado Novo (1937-1945), dedicou-se à medicina e ao magistério, consolidando-se como brilhante ginecologista.
Em 1937, conquistou por concurso a cátedra de Clínica Ginecológica da Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais (atual UFMG). Em 1939, fundou o Hospital de Ginecologia, origem do Ambulatório Bias Fortes. Organizou a Cruz Vermelha em Minas Gerais (1942) e criou o pioneiro Programa Bem-Estar da Família, um dos primeiros serviços de atenção primária à saúde do Brasil. Foi pioneiro na introdução da colposcopia no país.
Com a redemocratização em 1945, filiou-se ao Partido Republicano (PR). Eleito vice-governador de Minas Gerais na chapa de Juscelino Kubitschek em 1950, dedicou-se especialmente às áreas da saúde e da educação. Assumiu o governo mineiro em 31 de março de 1955, após a renúncia de JK.
Em sua gestão de dez meses, implementou transformações profundas: na saúde, criou o Departamento de Saúde Pública (unificando serviços), o pioneiro Departamento Social do Menor, ampliou a rede hospitalar (construindo o Hospital do Câncer, dando continuidade ao Hospital do Pênfigo e à Escola de Saúde Pública) e implantou postos de saúde no interior.
Na educação, participou da elaboração do novo Código do Ensino Primário, criou 47 novos colégios estaduais e implantou cursos de segundo ciclo nas escolas normais. Na cultura, como fundador da Universidade Mineira de Arte e presidente da Cultura Artística de Minas, lançou as bases do Palácio das Artes e do ecossistema cultural de Belo Horizonte. Transmitiu o governo em 31 de janeiro de 1956 com mais de 200 obras concluídas ou iniciadas.
Demonstrou habilidade política ao mediar conflitos entre PSD e UDN durante a campanha presidencial de 1955, garantindo a posse de JK. Nomeado Ministro da Educação e Cultura (1956-1961), desenvolveu um programa ambicioso: implantou o plano “Educação para o Desenvolvimento” (reformulando ensinos secundário e superior), estabeleceu princípios para a futura Universidade de Brasília, apoiou a Campanha Nacional de Teatro e negociou pessoalmente com estudantes durante a Revolta do Bonde no Rio (1956).
Após o ministério, continuou ativo: como Secretário de Saúde de Minas Gerais (1967-1971), implementou a descentralização administrativa e campanhas de vacinação em massa; como diretor da Faculdade de Medicina da UFMG (1973-1976), modernizou a instituição. Humanista ligado às artes (influenciado por sua esposa, a cantora lírica Lia Portocarrero), sua casa era ponto de encontro de intelectuais e artistas.
Faleceu em Belo Horizonte em 25 de julho de 1978. Deixou um legado perene como médico inovador (com obras como Elementos de Diagnóstico Ginecológico), gestor público transformador e exemplo raro de competência técnica, sensibilidade artística, habilidade política e princípios éticos, comprometido com o progresso social e a modernização do Brasil. Poucos meses após sua morte, a Fundação Palácio das Artes é rebatizada com o seu nome.









