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ARLINDA CORRÊA

Foto de Arlinda Corrêa / Acervo Museu Helena Antipoff

Acervo Museu Helena Antipoff

Um legado de arte, educação e transformação social

Arlinda Corrêa foi uma pintora, ceramista, professora e psicopedagoga que marcou a história da arte e da educação em Minas Gerais e no Brasil. Nascida em Vespasiano (MG) e falecida em Belo Horizonte, dedicou sua vida a integrar a arte como ferramenta educativa e transformadora, especialmente voltada para crianças e jovens.


Arlinda estudou pintura com o renomado artista Alberto da Veiga Guignard, entre 1944 e 1951, na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte. Além disso, concluiu um curso de especialização em ensino de desenho e participou ativamente de movimentos estudantis. Foi presidente do Diretório Acadêmico da Escola Guignard, secretária de Arte da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG) e presidente da Organização Nacional dos Estudantes de Arte. Em 1953, participou do 1º Festival de Arte de Minas Gerais.


Posteriormente, entre 1958 e 1959, realizou um curso de especialização em psicopedagogia da arte nas cidades de Hamburgo e Munique, na Alemanha. Essa experiência internacional contribuiu para o desenvolvimento de seus métodos inovadores de ensino artístico.


Em 15 de dezembro de 1954, Arlinda fundou a primeira Escolinha de Artes de Belo Horizonte, localizada em sua casa, na Rua Carangola, 82. Inicialmente com 22 alunos, a escolinha se destacou por oferecer aulas de desenho, cerâmica, escultura, gravura, teatro e técnicas aplicadas às artes plásticas. Foi pioneira na cidade e a terceira instituição do gênero no Brasil, ao lado de iniciativas no Rio de Janeiro e Recife.


Com o sucesso das atividades, Arlinda organizou, já em 1955, uma exposição na antiga Biblioteca Thomas Jefferson, no Instituto Cultural Brasil Estados Unidos, que reuniu duzentas obras de 40 artistas mirins, popularizou a escola e ampliou seu alcance. Em 1960, promoveu a Exposição Internacional de Arte Infantil, que contou com 500 trabalhos de 23 países, projetando a Escolinha internacionalmente. 


Em 1973, a Escolinha de Artes foi transformada no Núcleo de Atividades Criadoras (NAC), consolidando-se como referência em educação artística. Pelo Núcleo, passaram artistas conceituados como Fernando Velloso, Fernando Pacheco, Claudia Renault, Paulo Henrique Amaral, Luiz Alberto Inchausti, Lourdes Antunes, Marilia Bizzotto, Terezinha Paiva e Juarez Azeredo Dias Costa.


Arlinda colaborou com Helena Antipoff por mais de 20 anos, compartilhando a missão de integrar a arte à educação, especialmente voltada para crianças com deficiência. Na Fazenda do Rosário, em Ibirité (MG), aplicaram pedagogias inovadoras que incluíam oficinas de cerâmica, carpintaria, teatro de fantoches e técnicas têxteis. Esses métodos promoveram a inclusão social e educacional, beneficiando crianças, adolescentes, adultos da comunidade local e professores rurais.


Produção artística e educação


Ao longo de sua carreira, Arlinda participou de exposições individuais e coletivas em cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Hamburgo, Praga, Sèvres e Paris. Entre seus destaques estão salões universitários e a mostra comemorativa do centenário de Belo Horizonte “Consolidação da Modernidade”. Em 1976, pintou o mural da Escola Municipal Helena Antipoff, no Barreiro, inspirada nos girassóis, que simbolizavam sua admiração pela pedagoga da qual foi parceira por duas décadas.


Arlinda foi uma defensora incansável do ensino de artes na educação básica. Participou da regulamentação da lei que implementou a educação artística nas escolas de 1º e 2º graus, em 1973, e trabalhou como assessora da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (1975-1976). Publicou artigos sobre arte e educação no jornal Estado de Minas e no Suplemento Pedagógico de Minas Gerais, além de ilustrar livros de poesia, conquistando o Prêmio Alfredo Storni em 1958.


Arlinda Corrêa deixou um impacto profundo na valorização da arte como instrumento educativo e terapêutico. Sua escolinha formou gerações de artistas, incluindo nomes como Fernando Pacheco, Fernando Velloso e Claudia Renault. Sua trajetória é exemplo de como a arte pode transformar vidas, inspirar comunidades e promover uma educação humanizadora e inclusiva. Arlinda nomeia uma galeria de 177 m² situada no Palácio das Artes.

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