AMILCAR DE CASTRO

Instituto Amilcar de Castro
O mestre do neoconcretismo
Amilcar Augusto Pereira de Castro nasceu em 8 de junho de 1920, em Paraisópolis, Minas Gerais. Foi um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros, destacando-se como escultor, desenhista e artista gráfico. Pioneiro do movimento neoconcreto, Amilcar tem sua obra marcada pela simplicidade geométrica, pelo rigor formal e pela inovação técnica, especialmente em suas esculturas de “corte e dobra”. Além de sua produção artística, Amilcar revolucionou o design gráfico no Brasil, influenciando gerações de artistas e designers, sendo o autor de uma das mais importantes reformas gráficas da imprensa brasileira: a reforma do Jornal do Brasil, realizada em 1957.
Filho de um juiz e desembargador, Amilcar e sua família mudaram-se frequentemente devido às transferências profissionais do pai, até se estabelecerem definitivamente em Belo Horizonte, em 1935. Em 1941, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), formando-se em 1945. No entanto, sua verdadeira paixão era a arte.
Ainda estudante de Direito, em 1944 iniciou seus estudos de arte com o pintor Alberto da Veiga Guignard no recém-criado Instituto de Belas Artes. Com o tempo, Amilcar tornou-se amigo de Guignard, realizando com o mestre e outros artistas memoráveis viagens a Ouro Preto para pintar e desenhar suas paisagens. Dessa convivência e das atividades no Instituto, surgiu a organização, em colaboração com Mário Silésio, daquela que seria a segunda exposição de arte moderna de Belo Horizonte, a “Exposição de Pintura”, realizada em outubro de 1945.
Seus primeiros trabalhos foram expostos no 51º Salão Nacional de Belas Artes (1945). Em 1947, recebeu a medalha de bronze no V Salão de Arte Moderna do MEC, no Rio de Janeiro, consolidando-se como artista promissor. Na década de 1950, aproximou-se da arte concreta. Em 1956, participou da Exposição Nacional de Arte Concreta, organizada pelo Grupo Ruptura, que reunia artistas como Waldemar Cordeiro e Geraldo de Barros.
Em 1959, assinou o Manifesto Neoconcreto, ao lado de Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica, Franz Weissmann e Ferreira Gullar. O movimento buscava romper com o formalismo rígido do concretismo, valorizando a experiência sensorial e a interação com o espectador. Nesse período, desenvolveu seu método revolucionário de “corte e dobra”, criando esculturas a partir de chapas de aço cortadas e dobradas sem solda, explorando a tridimensionalidade de forma inédita. Essa foi sua grande invenção escultórica: um método construtivo que permite, a partir de um plano, inscrever uma forma e lançá-la ao espaço em três dimensões através de uma operação muito simples de corte e dobra do plano, sem o uso de solda ou qualquer outro artifício técnico. Esse método pode ser aplicado tanto a uma folha de papel como a uma chapa de ferro de várias polegadas de espessura e muitas toneladas de peso. A obra de Amilcar rompe a ortodoxia formalista construtivista, estabelecendo uma poética única em torno do fato escultórico.
Em 1967, recebeu a bolsa da Fundação Guggenheim, tornando-se o primeiro escultor brasileiro a conquistar esse reconhecimento. Mudou-se para Nova York em 1968, onde realizou exposições individuais. Voltou ao Brasil em 1971, fixando residência em Belo Horizonte. Tornou-se professor na Escola Guignard e na Universidade Federal de Minas Gerais, onde lecionou escultura, desenho e teoria da forma até sua aposentadoria, em 1990. Na década de 1970, retomou os desenhos, agora como obras independentes, e iniciou uma série de esculturas monumentais, como a de 32 metros instalada em Ouro Branco (MG) em 1978.
Nos anos 1990, sua obra ganhou retrospectivas importantes, como no Paço Imperial (RJ, 1989) e no MASP (1992). Recebeu prêmios como o Johnnie Walker de Artes Plásticas (1997) e o Prêmio Nacional da Funarte (1995). Em 2001, inaugurou seu novo ateliê em Nova Lima (MG), projetado pelo arquiteto Allen Roscoe.
Amilcar foi um desenhista obsessivo, produzindo milhares de obras gráficas entre desenhos, gravuras e pinturas de grandes dimensões que, por suas características profundamente gráficas, denominava também de “desenhos”. Além disso, criou design de objetos e joalheria. Faleceu em Belo Horizonte, em 22 de novembro de 2002, deixando um legado fundamental para a arte brasileira. Amilcar de Castro dá nome à Galeria Aberta do Palácio das Artes.
















