ALFREDO CESCHIATTI
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Foto: Claus Meyer / Tyba
O escultor da modernidade
Nascido em Belo Horizonte em 1º de setembro de 1918, Alfredo Ceschiatti tornou-se um dos maiores escultores do modernismo brasileiro, deixando um legado artístico marcante na arquitetura e no espaço público do país. Filho de pais italianos, teve contato precoce com a arte e, em 1937, viajou à Itália, onde absorveu influências da escultura clássica e renascentista. Ao retornar ao Brasil, estabeleceu-se no Rio de Janeiro e ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, onde aprimorou suas habilidades como escultor, desenhista e professor.
Sua primeira grande consagração ocorreu em 1945, quando recebeu o Prêmio de Viagem ao Exterior no Salão Nacional de Belas Artes pelo baixo-relevo do batistério da Igreja de São Francisco de Assis, em Belo Horizonte. Esse trabalho o aproximou do arquiteto Oscar Niemeyer, que logo lhe encomendou sua primeira escultura para o Conjunto Arquitetônico da Pampulha. A peça, intitulada O Abraço, representava duas mulheres abraçadas e, devido ao seu caráter inovador e sensual, foi considerada imoral e permaneceu guardada por anos antes de ser finalmente exibida.
Outra figura essencial na trajetória de Ceschiatti foi Candido Portinari, que o influenciou profundamente. Ao chegar ao Rio de Janeiro, Ceschiatti impressionou-se com os afrescos de Portinari no Ministério da Educação e Saúde e passou a frequentar sua casa, no bairro do Cosme Velho. Lá, recebeu incentivo do mestre para seguir na escultura. Portinari reconhecia no jovem artista um traço vigoroso e uma habilidade especial para o volume e a tridimensionalidade. Essa amizade também o colocou em contato com outros grandes nomes do modernismo brasileiro, como Athos Bulcão e Iberê Camargo.
O auge de sua carreira ocorreu com a construção de Brasília, onde Ceschiatti consolidou sua parceria com Niemeyer. Ele se tornou o principal escultor da nova capital e criou algumas das mais emblemáticas obras integradas à arquitetura da cidade. Entre suas esculturas mais famosas estão As Banhistas, no Palácio da Alvorada; A Justiça, no Supremo Tribunal Federal; Os Anjos e Os Evangelistas, na Catedral de Brasília; e As Gêmeas, no Palácio do Itamaraty.
Além dessas obras, Ceschiatti também deixou sua marca no Rio de Janeiro com a escultura As Três Forças Armadas, parte do Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, inaugurado em 1960. A peça, esculpida em granito, homenageia os soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial e reforça seu compromisso com a representação do corpo humano em formas monumentais e expressivas.
Esculturas no Palácio das Artes
Seu apreço pela figura feminina é uma constante em sua obra, sendo evidente também em duas esculturas que integram o acervo do Palácio das Artes, em Belo Horizonte: Banhista e Cabeça de Anjo. Essas peças foram doadas por sua família em 1990, um ano após sua morte, para garantir que sua memória fosse preservada na cidade onde nasceu. A Banhista é uma réplica de uma de suas obras mais conhecidas, enquanto Cabeça de Anjo é uma escultura original que demonstra a delicadeza e o refinamento técnico do artista.
Ao longo de sua carreira, Ceschiatti participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, sempre sendo reconhecido por sua capacidade de harmonizar o clássico e o moderno em suas esculturas. Sua abordagem inovadora e sua sensibilidade artística o tornaram um dos maiores nomes da escultura brasileira no século XX.
Faleceu no Rio de Janeiro em 25 de novembro de 1989, deixando um vasto acervo espalhado por diferentes cidades brasileiras. Sua obra permanece como um testemunho do talento e da ousadia do modernismo brasileiro.













